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22/04/2011
 

Gastronomia

 

Mais saúde com cascas, sementes, folhas e talos.

 

O aproveitamento integral dos alimentos é uma realidade em muitas mesas. Saiba o que as nutricionistas Camila Mendes Kneip e Romildes Marchetti, e o nutrólogo José Lara Neto falam sobre esta prática. Você, ainda, poderá adotar esta ideia e utilizar a receita aqui sugerida.

 

Imagem: Divulgação

Risoto de camarão preparado pela ONG Banco de Alimentos

 

Hoje, o mundo vive um processo de profundas mudanças. Com a globalização cresce a expectativa de vida e o desejo de ter à mesa alimentos saudáveis, de maior durabilidade e valor nutritivo. Devido às novas necessidades, muitos profissionais de saúde começaram a perceber que resgatar os velhos e bons costumes humanos é uma alternativa para a vida moderna. Por isso, algumas mãos e mentes preocupadas com o bem-estar voltaram-se ao trabalho do aproveitamento integral dos alimentos. O que significa dizer, melhor valor nutricional e conservação de características do produto como sabor, textura, cor e aroma.  

 

Segundo a nutricionista da ONG Banco de Alimentos, Camila Mendes Kneip a maior concentração de nutrientes, muitas vezes, está nas cascas, folhas, talos e sementes. “Por exemplo, a casca da laranja tem 46 vezes mais cálcio que a polpa, as folhas de beterraba possuem 126 vezes mais vitamina C que a polpa, os talos de salsinha possuem o triplo de fibras que as folhas, as sementes de maracujá têm cinco vezes mais fibras que a polpa, a entrecasca da melancia possui cinco vezes mais potássio que a polpa”.

 

Com o passar do tempo, o homem adquiriu novos hábitos alimentares e comportamentais. No primeiro caso, substituiu os produtos naturais pelos enlatados e plastificados. No segundo, com o corre-corre da vida moderna, desperdiçou muito do que tinha em mãos. O resultado não poderia ser outro: uma perda muito grande para a saúde.

 

Mas nem tudo está perdido. Com o resgate do aproveitamento integral dos alimentos é possível diminuir os gastos com a alimentação e melhorar a qualidade nutricional do cardápio, reduzir o desperdício e tornar possível a criação de novas receitas.  “Com o consumo dessas partes, há um aporte de fibras, vitaminas e minerais no organismo. E, assim, previnem-se doenças e o intestino funciona melhor”, explica a nutricionista.

 
Segundo ela, este conceito deve ser praticado no dia-a-dia por qualquer pessoa, independente de sua classe social ou econômica. Isso significa eliminar alguns preconceitos alimentares, como o de que o aproveitamento integral dos alimentos é usado apenas pela população de baixa renda. “As chamadas partes não-convencionais, que iriam para o lixo têm outra vantagem: tornar o cardápio mais criativo”, diz. 

 

De acordo com Romildes Marchetti, nutricionista sênior do Hospital Nossa Senhora de Lourdes, as vantagens dos talos, folhas, sementes e folhas não param por aí.   “Estas partes que são ricas em fibras, aumentam a saciedade, controlam a glicemia em diabéticos, reduzem o colesterol e previnem o câncer de intestino. Tudo registrado em publicações de estudos científicos”.

 

Desnutrição

 

As deficiências nutricionais são doenças que decorrem da oferta alimentar insuficiente em energia ou nutrientes. Com alguma freqüência, também, é o resultado do inadequado aproveitamento biológico dos alimentos ingeridos. Os principais sintomas são cansaço, fraqueza, atraso no crescimento e dificuldade de concentração. Pode ocorrer em qualquer idade, porém é mais comum em bebês e crianças até cinco anos. É muito importante que a desnutrição seja tratada logo nos primeiros sinais. Assim, a criança desnutrida recupera a saúde e volta a ter peso e estatura adequados à sua idade.

 

Como a infância é o período em que os hábitos são formados, é na alimentação da criança, que se deve fazer a adequação nutricional. Por isso, nessa fase, não será difícil introduzir cascas, sementes, folhas e talos no dia-a-dia da garotada.

 

Para a nutricionista do Hospital Nossa Senhora de Lourdes, a melhor maneira de estimular a experimentação, e o hábito alimentar da garotada é dando o exemplo no convívio familiar. “Além disso, se deve introduzir esses alimentos em preparações que a criança já está acostumada como bolos, tortas, pães e salgados. Não se deve, ainda, esquecer de explicar como o aproveitamento integral dos alimentos é saudável. A criança é inteligente e aprenderá logo”, diz.

 

Outras iniciativas

 

Em São Paulo e em muitas cidades espalhadas pelo Brasil, existem iniciativas dessa magnitude. É o caso da prefeitura de Rio Claro (interior paulista) que formou o Banco Municipal de Alimentos. Os objetivos são combater o desperdício de alimentos e reduzir os efeitos da fome, permitindo que um maior número de pessoas tenha acesso a alimentos básicos e de qualidade, em quantidade suficiente para uma alimentação saudável e equilibrada.
  
O Banco atua de duas maneiras: fornece alimentos enquanto combate o desperdício e promove ações educativas e profiláticas voltadas à população atendida.


Sobre essa iniciativa de Rio Claro, o médico e vice-presidente da Abran – Associação Brasileira de Nutrologia, José Alves Lara Neto, afirma: “É maravilhoso saber que existem ações desse tipo. Num país rico como o nosso. Essa atitude deveria ser tomada com a mesma facilidade que encontrados os alimentos na natureza”. 

 

Que tal adotar esta ideia? Você só tem a ganhar.

 

Quadro                                                        

 

Combate ao desperdício de alimentos

 

Veja algumas dicas de aproveitamento de cascas, sementes, folhas e talos da nutricionista Camila Mendes Kneip, da ONG Banco de Alimentos.

 

1 – Os talos de couve, agrião, beterraba, brócolis e salsa, entre outros, contêm fibras e devem ser aproveitados em refogados e recheios, no feijão, na sopa, etc.

 

2 – Você sabia que os talos do agrião contêm grande concentração de ferro, cálcio e vitamina C?

 

3 – As folhas da cenoura são ricas em vitamina A e devem ser aproveitadas para fazer bolinhos, sopas ou picadinhos em saladas.

 

4 – A água do cozimento das batatas, beterraba, cenoura, entre outros, acaba concentrando as vitaminas hidrossolúveis. Aproveite-a para purês, arroz e gelatinas.

 

5 – As cascas da batata e da mandioquinha, depois de bem lavadas, podem ser assadas em forno ou fritas em óleo quente e servidas como aperitivo.

 

6 – A casca da laranja é rica em cálcio e pode ser usada em pratos doces à base de leite, como arroz-doce e cremes.

 

7 – As partes brancas (entrecascas) da melancia e do melão são ricas em fibras e potássio e podem ser usadas para fazer doces e recheios salgados.

 

8 – Podem-se preparar sucos com as cascas das frutas (goiaba e abacaxi). É só batê-las no liquidificador. O bagaço (que sobra na peneira) pode ser aproveitado para preparar brigadeiros e bolos.

 

9 – Utilize a casca do limão para preparar doces e salgados, mas nunca chegue à parte branca, pois ela é amarga e pode prejudicar o sabor.

 

Risoto de camarão com casca de limão siciliano da ONG Banco de Alimenos

 

Ingredientes:

60 g de arroz arbóreo; 50 g de camarão cinza limpo; 15 ml de azeite; um dente de alho; casca de limão siciliano em raspas a gosto; 200 ml de vinho branco; 250 ml de caldo de peixe; sal e pimenta do reino a gosto; meio tomate com pele e sementes; salsa, manjericão e queijo parmesão a gosto; e 10 gramas de manteiga.

 

Preparo:

Temperar o camarão com sal, azeite e alho; deixar marinar. Puxar o arroz arbóreo no vinho branco (200 ml) com sal e adicionar aos poucos o fundo de peixe, sem parar de mexer. Quando o arroz adquirir textura al dente, adicionar o camarão, descartando a marinada. Temperar com pimenta do reino, tomate em cubos pequenos, salsa picada com talos, folhas de manjericão e raspas de limão. Adicionar o queijo parmesão ralado e misturar com manteiga. O rendimento é uma porção.

 

Dica de leitura

 

Emagreça com a Dieta das Calorias do Bem, escrito por Cesar Pedroso, fundador do Emex (Centro de Nutrição Orientada), representa uma vitória do bom senso entre as publicações de dieta. Isto porque, é comum nos depararmos com propostas de regimes restritivos, monótonos, que excluem grupos alimentares inteiros e que funcionam de início, mas se tornam insustentáveis a longo prazo. No livro, editado pela editora Abril, é encontrado um programa de desintoxicação que prepara o corpo para o emagrecimento. E mais: várias opções de cardápios para quem quer perder peso e pratica atividade física, para quem não está malhando e para quem não vive sem doce, pão ou massa.

 


Publicado por: Divina Proporção
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