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06/02/2012
 

Comportamento

 

Como negociar o divórcio

 

Imagem: Divulgação

 

Marcelo Maron

 

Marcelo Maron é mestre em Economia Empresarial pela Universidade Cândido Mendes, do Rio de Janeiro, com MBA Executivo com ênfase em Seguros pelo IBMEC também do Rio. Foi coordenador do Setor de Programação Financeira da Gerência de Marketing da Petrobras, assumindo mais tarde a Superintendência de Administração da PAR Corretora de Seguros. Hoje, é o diretor executivo da FPC Participações Corporativas, a Holding do Grupo PAR, além de atuar como Consultor de Finanças Pessoais e Professor de Matemática Financeira da Universidade Euroamericana de Brasília-DF. Tem larga experiência na criação e estruturação de empreendimentos, considerando aspectos organizacionais, financeiros e tributários. Ele concedeu esta entrevista à revista eletrônica Divina Proporção.Com.

Divina Proporção.Com – O que significa negociar o divórcio?

Marcelo Maron – Negociar o divórcio significa fazer um planejamento, com o intuito principal de minimizar as perdas patrimoniais e de padrão de vida, muitas vezes inevitáveis num processo de separação.

Divina Proporção.Com – Esta é uma prática relativamente nova, ou já ganhou alguma força?

Marcelo Maron – Da mesma forma que hoje há uma grande atenção voltada para o tema finanças pessoais, outras preocupações adjacentes ganharam força. As consequências materiais catastróficas que um divórcio pode acarretar passaram a ser um tema comentado em muitos canais de comunicação.

Divina Proporção.Com – Em seu ponto de vista como é a divisão correta de bens, inclusive para quem fica com os filhos?

Marcelo Maron – Particularmente, acredito que o que um casal tenha construído junto, deva ser patrimônio de ambos, independente de uma pessoa ganhar mais que outra, ou mesmo de uma delas não trabalhar. Um pai poderia ter a nobreza de deixar que a mulher permaneça no imóvel do casal com os filhos, mas acredito que o restante dos bens deva ter uma divisão igualitária, salvo por desejo diferente de ambos. E deixo claro que não vejo problemas também na divisão do bem de moradia, dependendo da situação de cada um. Tudo requer uma análise caso a caso.

Divina Proporção.Com – Não existe um certo aproveitar do homem que pede pensão?

Marcelo Maron – Diferente de antigamente, na geração atual, onde tudo é muito dividido e todos tem os mesmas oportunidades, não acho justo que ninguém viva às custas de ninguém. Portanto, casos de pensão deveriam ser considerados apenas quando há filhos envolvidos. Esta tem sido uma prática observada por muitos juízes em inúmeros processos de separação. Claro que há exceções, mas em geral é o que tem acontecido. Por que uma jovem de 25 anos recém separada deva viver sustentada por seu ex-marido de mesma idade? Não faz sentido. Independente de ser homem ou mulher, a pessoa que não tem filhos e que pede pensão para viver às custas de outra, quer se beneficiar de um certo aproveitamento sim.

Divina Proporção.Com – Como deve ser negociado o divórcio para que os dois lados se beneficiem?

Marcelo Maron – Em qualquer divisão, os dois perdem. Um casal que vive junto com R$ 6 mil não manterá o mesmo padrão se cada um viver com R$ 3 mil, por exemplo. O imóvel, comprado ou alugado, muito provavelmente terá de ser menor ou de mais baixo padrão, para a devida acomodação a uma nova situação financeira. O que o casal pode fazer é minimizar essas perdas, que ocorrerão para ambos os lados. Vejo o consenso entre as partes como a melhor forma de perder menos. Separações litigiosas geralmente levam a grandes perdas para todos, fora o custo jurídico.

Divina Proporção.Com – O mais esperto pode esconder bens (nome de terceiros). Como resolver o que não pode ser provado?

Marcelo Maron – Desonestidade nem sempre pode ser provada, vide o país que vivemos. O mais correto é a prevenção, não deixando que isto aconteça desde o início. É fundamental que o casal tenha conhecimento mútuo de para onde vai o dinheiro amealhado por ambos. Se assim for feito, dificilmente haverá espaço para a compra de bens escondidos, em nome de terceiros. Em casais de renda mais alta, isto é mais provável de acontecer.

Divina Proporção.Com – Onde encontrar um especialista de finanças?

Marcelo Maron – Para que haja ajuda neste sentido, alguém que entenda um pouco de finanças e patrimônio, e que tenha algum poder de consenso junto ao casal é o ideal. Muitas vezes, entre família e amigos, pode se encontrar um bom mediador entendido do assunto. Há consultorias que realizam este tipo de serviço, muitas vezes até indicadas por escritórios de advocacia. Não é difícil.

Divina Proporção.Com – Este profissional é realmente confiável?

Marcelo Maron – Se for um bom profissional por que não? Mas não há como garantir a honestidade. O ideal é que seja uma pessoa com alguma referência, e de preferência escolhida por consenso entre o casal.

Divina Proporção.Com – Dê exemplos de bens em sistema compartilhado?

Marcelo Maron – Já vi um caso de casal que se separou e mantiveram o patrimônio numa sociedade criada após o divórcio. É claro que isto só poderá ocorrer se houver condições de boa convivência. Não precisaram vender nada, muito menos às pressas, o que faz com que muita gente perca dinheiro. E ainda passaram a dividir uma renda de aluguéis. Há casais que dividem parte e mantém, por exemplo, a casa de praia como um bem a ser compartilhado, com regras claras de uso. Tudo é possí­vel com certa razoabilidade. Porém, se a convivência for impossí­vel, o ideal é pelo menos ter a cabeça fria para vender o patrimônio com calma, sem perder dinheiro. A pressa em se livrar do outro pode trazer perdas financeiras irreparáveis.

Divina Proporção.Com – Há alguma informação a ser acrescentada?

Marcelo Maron – Planeje sempre, por mais frio e estranho que isto possa parecer, especialmente levando em conta a situação emocional envolvida numa separação. Brigas causarão mais perdas a todos. Ceder será necessário, mesmo que se fique, às vezes, com a sensação de ter saído um tanto prejudicado. Não se faz omelete sem quebrar os ovos. 

 

Dica de leitura

Em Caiu do Céu, Rachel nunca poderia imaginar que o azul de seus olhos, a cor de seus cabelos e, principalmente, o tom claro da sua pele, pudessem causar tantos problemas. Mas ela estava enganada. Filha de uma dinamarquesa com um negro, Rachel foi a única sobrevivente de uma tragédia familiar. E ela não acreditava que algo pudesse ser pior do que isso.A editora LeYa Brasil lança em fevereiro o premiado livro “Caiu do céu”, de Heidi W. Durrow, contemplado com o Prêmio Bellwether de melhor ficção sobre questões de justiça social.

 



 


Publicado por: Divina Proporção
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