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04/03/2013
 

Comportamento

 

Artigos para Amar

 

Caleb Salomão possui formação jurídica. É professor de Direito Constitucional na Faculdade de Direito de Vitória – FDV. Atuou durante 16 anos como Advogado e suspendeu esta atividade em 2011 para prestar assessoria jurídica no Tribunal de Justiça do Estado do Espírito Santo (até novembro de 2013). Artigos para amar é o primeiro livro publicado; publicará outros três ainda este ano, sobre temas jurídicos e também sobre filosofia e comportamento.  Ele concedeu esta entrevista exclusiva ao Divina Proporção.Com.

Imagem: Divulgação

Divina Proporção.Com  - O que realmente são relacionamentos afetivo-sexuais?

Caleb Salomão –  Afetividade e sexualidade nos definem, em conjunto com outras características, como seres humanos. Nesse sentido, afetividade e sexualidade funcionam como pontes de relacionamento com alguns de nossos semelhantes. Relacionamentos afetivo-sexuais são tentativas, exercidas com o outro, de nos refazermos como seres humanos, resgatando um sentido de compartilhamento que conforta.  A filosofia fala de um estado de separação que marca a humanidade e que seria a raiz de muitos de nossos males; esse estado nos acompanharia desde o nascimento e explicaria nossa incessante busca por mitos, deuses e pelo outro. Estabelecer relações dessa natureza representa um esforço de superação desse estado. E algumas vezes somos levados a um delicioso autoengano, vivendo relações que, embora se apresentem como promissoras, sabemos - pela nossa própria história mas também pela de outros - que brevemente não atenderão nossas esperanças.

Divina Proporção.Com  - O que realmente as mulheres buscam hoje num relacionamento afetivo?

Caleb Salomão –  Eu poderia dizer que, de maneira geral, esses relacionamentos representam uma forma de autocompensação e também tentativas de superação daquele estado. Ou ao menos deveria ser assim. Claro que essa resposta fala de um ideal comportamental. Dada a deseducação sentimental e a banalização do uso das próprias virtudes - o que inclui o aparato físico-sexual -, esse idealismo sofre um choque de realidade, o que me leva a pensar que, muitas vezes, busca-se apenas entretenimento para tornar a vida mais leve. Fala-se muito em teste drive, em lanchinho, em formas de amor líquido que são vividas até com certa desenvoltura. Mas há também muitas expectativas que, se não forem adequadamente compreendidas, podem gerar muita frustração. São poucos os que vivem no deserto afetivo com consciência, sem se entregar a rituais de autoengano.

 

Divina Proporção.Com  - E os homens?

Caleb Salomão –  Os homens são menos suscetíveis ao autoengano por que, talvez na maioria dos casos, submetidos a modelos sexistas de relacionamento, suas expectativas costumam ser menores e de realização mais fácil. Sob a ótica masculina - e olhando para a cultura de nossos dias - esse adjetivo (afetivo) somente se torna aplicável em poucos contextos e geralmente num segundo (terceiro?) estágio dos relacionamentos, quando aquela primeira fase se mostrou de algum modo satisfatória.De modo mais comum há, primeiramente, relacionamentos de outra natureza, menos promissores em termos afetivos mas muito sedutores em termos sexuais. Mas também os homens, mesmos nesses relacionamentos mais rasos, estão em busca de autoafirmação (que ganha, às vezes, o nome de diversão sexual) e de superação das angústias derivadas daquele estado de separação. E quando se percebem nessas circunstâncias, com frequência os homens revelam uma enorme inaptidão para a construção da vida afetiva.

Divina Proporção.Com  - No passado havia repressão sexual, depois com a pílula veio a liberação sexual, e hoje o que podemos chamar?

Caleb Salomão –  Creio que o processo de distensão, de liberação dos costumes, da quebra de tabus prossegue. As pessoas estão empenhadas em liberar a liberação. Há uma vontade de mais. Mais liberdade, mais prazer, mais ousadia, mais experimentos, mais autoafirmação por meio da capacidade do gozo, mesmo que este seja genitalizado e efêmero. Talvez estejamos falando, aqui, de uma das origens de tanto desequilíbrio na existência de muitos. A sexualidade tem uma energia que, quando acionada, pode gerar tanto a liberdade subjetiva e a plenitude da existência com o outro, quanto a destruição de princípios e de nossa capacidade de viver em paz, conosco e com o outro.

Divina Proporção.Com  - Homens e mulheres estão perdidos quando o assunto é amor ou não? Por quê?

Caleb Salomão –  A sensação de desnorteamento me parece ser geral. Há uma deseducação radicalizada em todos os âmbitos da existência. Aliás, o livro aborda um conceito que demanda desenvolvimento: o de indústria do desequilíbrio, que gera esse senso de \\\"desbussolamento\\\", de perda de norte, que parece ser útil para certo tipo de indústria, inclusive a da fé. No contexto, os afetos e os amores - conforme E. Fromm: amor fraterno, amor erótico e amor a Deus - tornam-se sentimentos fugidios e quase inalcançáveis. Por isso estamos todo o tempo inventando simulacros para esses sentimentos; por isso nos submetemos a experiências - sexuais, afetivas, religiosas etc. - que mais nos empobrecem do que enriquecem.

Divina Proporção.Com  -  Por que o título se refere a uma declaração da mulher amada e serve também para os homens?

Caleb Salomão –  Porque todos somos femininos e masculinos. Nossas subjetividades foram educadas a segregar nossas emoções em sentimentos próprios de um e de outro sexo, mas a sentimentalidade não possui sexo. Ela pode se revelar no Ser independentemente de sua carga cultural e de sua condição biológica. Claro que, culturalmente orientado, optei por me enquadrar em categorias que permitem a fluência da argumentação, pois o auditório ao qual me dirijo está dicotomicamente condicionado: mulher e homem, direitos e deveres etc. Mas tudo isso como um exercício de expressão dos sentimentos que, segundo constato, estão presentes em homens e mulheres.

Divina Proporção.Com  -   Homens e mulheres sabem amar?

Caleb Salomão –  Se a resposta exigida for uma que abranja a maioria de nós, penso que a resposta deve ser negativa, inclusive com a corroboração dos fatos a que assistimos rotineiramente. Se tomarmos o vocábulo amar no sentido que se lhe deu nossos tempos de empobrecimento da alma e da dimesão das relações afetivo-sexuais, a resposta pode ser positiva. Mas se considerarmos amar naquela dimensão do sentimento que cria, que transcende, que constrói, a resposta só pode ser negativa. O aprendizado do amar como habilidade espiritual e intelectual do ser humano depende de alguns requisitos. Um deles, estou convencido, é a capacidade de distinguir a precipitação emocional da sedimentação emocional. O primeiro modelo movimenta mas não constrói, como dizia Paulo Gaudêncio. Está no campo das emoções-choque. O segundo, permite a evolução a dois, conjunta, que aproxima os espiritos por meio das emoções-contemplação. Eu estou convencido de que o modelo de vida que nos tem sido imposto não estimula esse aprendizado. Amar exige equilíbrio interior, característica de personalidade que não é estimulada pela cultura contemporânea. Penso, aliás, que o estímulo vai noutro sentido, o do desequilíbrio. E como amar em desequilíbrio? Nesse estado, o que há são paixões, simulacros de sentimentos nobres que podem nos esvaziar de nossas mais nobres expectativas. Nesse contexto, sequer nos vemos como seres capazes de escolher, com consciência, experimentar certos tipos de sentimentos. Há, ao contrário, uma espécie de terceirização da capacidade de administrar, de cuidar da própria subjetividade e dos sentimentos que a constituem: cremos no destino, nos astros, numa psicologia irresponsável que nos alcança pelos mais diversos meios, seja na mídia, seja no consultório daquele profissional que não compreende sequer suas próprias angústias.

Divina Proporção.Com  -   Deseja acrescentar mais alguma informação?.

Caleb Salomão –  A proposta formal do livro - \\\"Artigos para Amar\\\" escritos em homenagem a uma mulher Amada idealmente concebida - brinca com nossos valores para dizer, seriamente, que precisamos repensar o padrão de nossos relacionamentos afetivo-sexuais. Podemos e temos nos divertido, mas será que estamos desenvolvendo nossas capacidades de viver os sentimentos para os quais estamos talhados? Não me parece inteligente desperdiçar tantas possibilidades que surgem nos encontros afetivo-sexuais apenas porque nossa cultura nos empobreceu e tenta nos moldar na repetição de condutas que retiram da Mulher, e também do Homem, oportunidades de tornar o mundo melhor a cada encontro afetivo-sexual que nos dispomos a viver.

 

Dicas de Leitura da Editora Novo Século

Cinquenta Vergonhas de Cinza – Uma paródia inteligente da série Cinquenta Tons de Cinza. Empurro a porta aberta e tropeço na barra das minhas calças de ginástica largas num movimento rápido e desajeitado. Enquanto tombo na direção do chão, meu corpo, por reflexo, aciona o modo ginasta. Largo a mochila e o notebook, estendo meus braços e viro uma estrela. Com o impulso conseguido com o tropeção, completo três estrelas antes de aterrissar em pé… em cima da mesa do Sr. Grey! Fico tão envergonhada com minha falta de jeito que fecho os olhos. Espera aí. Alguém está… aplaudindo? Abro meus olhos e encaro o Sr. Grey e MINHA NOSSASSINHORA DOS VAMPIROS BRILHANTES, COMO ELE É GOSTOSO!

Camélias e Navalhas – As últimas duas décadas do século XIX foram extremamente importantes para o Brasil, pois nesse período o país mudou a sua face perante o mundo. De um conservador e inerte império escravista saltamos para uma república presidencialista, banindo tudo o que nos ligava a uma realeza decadente, incapaz de dar curso às reivindicações de uma sociedade que precisava se expandir e acompanhar as novas conquistas da Humanidade. Camélias e Navalhas é uma obra de ficção cujos principais personagens, no entanto, transitam por cenários reais dos tempos da Abolição e do início da República Velha na companhia de figuras que tiveram papel de significativo destaque nessas duas épocas. Formular uma trama ficcional dentro desse período foi o caminho encontrado pelo autor para retratar, na medida do possível, como era a sociedade do Rio de Janeiro no final do século XIX e como, então, se relacionavam as pessoas em seu dia a dia familiar, social e político. Com Camélias e Navalhas o autor apresenta um Brasil que, verdadeiramente, poucos conhecem, mas que vale a pena ser visitado.

 

Angelina - À primeira vista, ela pode parecer uma pessoa sem segredos, que fala abertamente sobre sua vida amorosa, preferências sexuais, uso de drogas, incisões e tatuagens – e também por que beijou o próprio irmão na boca em público. Ainda assim, muitos mistérios permanecem: como foram seus dois breves e impulsivos casamentos com Jonny Lee Miller e Billy Bob Thornton? Como é seu relacionamento com Brad Pitt? O que está por trás da conhecida briga com seu pai, o ator Jon Voight, ganhador do Oscar? O que a levou a se tornar mãe de seis filhos em apenas seis anos? E, talvez o mais intrigante de tudo, o que acontece com o outro lado de Angelina? Como essa talentosa, mas problemática jovem atriz tornou-se, antes dos 35 anos de idade, uma respeitada embaixadora da Boa Vontade da ONU, bem como a “celebridade mais poderosa do mundo” (destituindo Oprah Winfrey), segundo a lista de celebridades da Forbes em 2009? As respostas que Andrew Morton descobriu são surpreendentes, e levam-nos a aprofundar no mundo de Angelina, mostrando sua criação quando criança, a formação como atriz e como mulher que luta para superar seus demônios pessoais, nunca antes revelados. Nesta fascinante biografia, Andrew Morton apoia-se em entrevistas originais e em muita pesquisa, além de fotografias íntimas exclusivas, para nos mostrar a verdadeira história tanto sobre os excessos selvagens de Angelina na juventude quanto sobre seu notável trabalho com crianças e vítimas da pobreza e desastres nos nossos dias.

 

Escondida - Desvende a real essência escondida atrás das aparências... Finalmente, Zoey consegue o que sempre quis: a verdadeira natureza malévola de Neferet foi desmascarada, e o Conselho Supremo dos Vampiros não está mais ao lado dela. Mesmo assim, a força da ex-Grande Sacerdotisa está longe de ser insignificante. Primeiro, um misterioso incêndio assola os estábulos. Depois, Neferet começa a jogar os humanos contra os vampiros e ataca alguém muito ligado a Zoey – tudo para tentar criar o caos no mundo. Com as sementes da destruição espalhadas na Morada da Noite, todos precisam se organizar para elaborar estratégias de defesa. Porém, isso se revela mais difícil do que nunca. Kalona, antigo inimigo do grupo de Zoey, tornou-se guerreiro e protetor da Morada da Noite. Para agravar a situação, Zoey vê algo através da pedra da vidência que mal consegue explicar a si mesma. É possível que Heath tenha retornado em uma forma diferente? É por esse motivo que Zoey está tão intrigada a respeito de Aurox, quando parece tão óbvio que ele é perigoso? E quem acreditaria se ela contasse? Em meio à tensão que começa a afetar as amizades dentro do grupo, a horda de nerds conseguirá manter-se unida para enfrentar as Trevas antes que seja tarde?

 

A princesa do Baile da Meia-Noite - Rosa é uma das doze princesas forçadas a dançar noite após noite no reino de baixo. Elas foram vítimas de um feitiço que nenhum príncipe, até mesmo dos reinos mais distantes, consegue desvendar. A chave para quebrar o encanto, porém, está na força de um cavaleiro destemido e – claro – no amor verdadeiro. Mas será que ele conseguirá driblar todas as dificuldades que aparecerão em sua jornada para ajudar essa bela princesa e suas irmãs? Uma fantasia repleta de romance que encontrará lugar entre os fãs de contos de fadas, grandes heroínas e jovens heróis fortes, astutos e sensíveis.

 

A Cura do Cérebro –  Plasticidade emocional, ingrediente fundamental na surpreendente reabilitação do AVC de Adriana Fóz, especialista em neuropsicologia. Neste romance biográfico, intenso e divertido, assim como é a autora, percebemos os extremos de uma vida cheia de cor e movimento, contrapondo o drama de um derrame e os caminhos para a transformação de uma tragédia em ganhos para toda a vida. Da mesma maneira, constatamos ser possível acreditar que qualquer pessoa que tenha sua vida desconstruída por um trauma também pode se superar e se reabilitar.

 

 

 

 

 


Publicado por: Divina Proporção
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