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17/03/2014
 

Decoração

Barro & Balaio

Dia 19 de março será comemorado o Dia do Artesão. Para marcar a data, um dos maiores estudiosos do assunto, o antropólogo Raul Lody, lança o livro Barro & Balaio – Dicionário do Artesanato Popular Brasileiro (Companhia Editora Nacional). Ele reúne informações inéditas e pioneiras sobre a diversidade e a amplitude da produção artesanal no País. A obra tem mais de 1.800 verbetes, e aborda materiais, técnicas, ferramentas, processos construtivos, modelos, funções estéticas e representações sociais e culturais dos objetos em seus cenários regionais. Os textos de introdução atualizam o retrato do nosso artesanato e as fotografias de Jorge Sabino criam uma rica iconografia revelando a nossa pluralidade cultural.  O autor concedeu esta entrevista exclusiva ao Divina Proporção.Com.

Imagem: Jorge Sabino

Divina Proporção.Com. - O que representa para você ter um livro? Um livro é um resultado intelectual e emocional de um longo processo de pesquisa e de emoções. No caso do Barro & Balaio, trata-se de uma obra de referência e de maturidade. Este ano celebro os 40 anos do meu primeiro livro, são muitos. Contudo cada um é especial, um sentimento diferente. 

Divina Proporção.Com. - O que o leitor encontra nas páginas do Barro & Balaio?   Barro e Balaio, é um amplo e rico mergulho  na produção e  na diversidade do artesanato popular brasileiro, uma leitura na variedade de materiais, de tipos de objetos de soluções de estéticas,  de representações de regiões, de comunidades e de pessoas. É uma obra completa sobre a produção do artesanato nacional.

Divina Proporção.Com. - Por que escreveu este livro? Este é um tema dominante na minha pesquisa sobre o imaginário brasileiro. Esse projeto se une a outros que realizei com este olhar sobre a criação e a tradição do nosso povo. É uma obra de referência  para os interessados no Brasil e na sua identidade. 

Divina Proporção.Com. -  Como é seu dia-a-dia como estudioso? Em minha pesquisa de campo, constatei a rotina do artesão. As características dos muitos cotidianos dos artesãos podem ser sentidas no exercício do seu trabalho, conforme o tipo de  técnica, de material que utiliza, e das formas de comercialização. Muitos artesão realizam trabalhos mecânicos na repetição de um técnica, copiando modelos, outros realizam formas pessoais de invenção e  maneiras sensíveis de interpretar a vida e a sociedade. Entre tantas observações em campo, trago algumas leituras sobre a família Vitalino, do Alto do Moura, Caruaru, Pernambuco, sobre  filhos e netos deste renomado artesão, artista popular brasileiro. A fama de Vitalino vem após a sua morte nos anos 1960, pela varíola, e sua família sempre vivendo do barro, preservando um estilo próprio, que identifica sua produção e dos seus seguidores. São as figuras feitas de barro, muitas policromadas  e estão por todo o Brasil em feiras e lojas de artesanato.

Divina Proporção.Com. - Como é transmitido o saber do artesanato? Geralmente, por tradição, o saber artesanal é transmitido no cotidiano, na observação do trabalho, nas maneiras de experimentar os materiais. Isto se dá nas relações familiares. São milhares de pessoas que vivem do artesanato no Brasil, realizando os mais variados tipos de produtos, inicialmente para consumo próprio, para consumo nas comunidades, na região, em âmbito nacional  e também internacional.  O artesão geralmente necessita de maior apoio para a comercialização dos seus produtos em especial no mercado globalizado. Pois  ao mesmo tempo há uma busca pelo que é artesanal como um desejo de recuperar a criação individual numa sociedade ocidental de múltiplos de  cópias. Numa onda made in China está o que  é artesanal como um símbolo, uma recuperação de sentimentos, de povos e de culturas. Também aspectos contextuais conforme   o tipo de técnica revelam outros ambientes de trabalho dos artesãos. Exemplo é o das rendas de bilros e de agulha, que geralmente são realizadas em áreas de litoral, unidas ao trabalho da  pesca. Pois as atividades das rendeiras são atividades relacionadas com o mar,o que  é marcado na tradição portuguesa que diz: "Onda há renda, há rede”. Renda da mulher e a rede de pesca do homem, o pescador.

 


Publicado por: Divina Proporção
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